terça-feira, 31 de agosto de 2010

POEMA FILHO AUSENTE

Eu sou filho de Ipu
E ele fica muito além
Todos cantam sua terra
Eu canto a minha também
Minha terra tem beleza
Que o resto do mundo não tem

O bonito que tem lá
São coisas naturais
Não é com força e dinheiro
Que a gente querendo faz
Eu me refiro á beleza
Feita pela natureza
Porque só ela é capaz

Só aquela tromba de serra
Que orna a nossa cidade
É de fato uma beleza
É bonita de verdade

Então a nossa cascata
É um verdadeiro primor
A natureza fez
Depois de feita
Ela mesma se espantou

E saiu festando de costa dizendo
Meu Deus que belezão
Para tomar conta disto
Eu vou mandar o Sebastião

E aqui lá está
Mora em nossa catedral
Toma conta do município
Da cidade e arraial

E eu como Ipuense
Tenho a minha opinião
E qualquer filho da terra
Tenha a sua sugestão
Mas eu fico na minha
De zelar o nosso Ipu
Somente São Sebastião

Terminei os meus versos
E quem quiser falar que fale
Aqui fica um servo criado


Zezé do Vale

Foto: Acervo Prof. Fco. Mello

ANUNCIAÇÃO

Papai, Mamãe

Eu já estou a caminho

Eu terei de vocês todo carinho

E no meu lar o mais puro AMOR

Espero do mundo toda maravilha

Me ensinem a andar numa trilha

Onde eu encontre no caminho a flor

Da sabedoria de toda a humanidade

PAI, MÃE eu quero viver a verdade

Ser forte, ser bravo, ser feliz

Da vida serei sempre aprendiz

E a Deus terei sempre gratidão

Me guardem na mente e no coração

Mãezinha, me espere assim

Com sorriso pra minha existência

Quero um pouco da sua inteligência

Sua garra e determinação

Paizinho, quero sua proteção

Seu caráter e sua honestidade

Sua fibra e sua hombridade

A soma de você me bastará

Serei um eleito com certeza

Herdarei de vocês toda nobreza

Estarei pronto

E isto me bastará

Corrinha de Melo Lima

Ipu, agosto de 2003

Blog Aconteceu Ipu – Afrânio Soares

Enviada por Lorena Lima


A LENDA QUE FEZ HISTÓRIA

A LENDA QUE FEZ HISTÓRIA

No pé da Serra da Ibiapaba

Nas margens frescas do Ipuçaba,

Ao embalo da brisa que desliza

A lenda de Iracema

Brotada do poema

Do mago Alencar

Ali nasceu... viveu...

À praia permeou

E foi à Messejana passear!

À sombra da oiticica

Ao látego da Bica

Das samambaias o roçar

Das águas o rorejar...

Cantou o amor

Curtiu a dor...

Índia guerreira

De flecha certeira!

Com as aves cantava

Com o vento bailava

Com a ema selvagem corria

Ao brilho da lua adormecia!

Inocente e fagueira

A morena trigueira

Quando o sol surgia

E o orvalho caia

Nas manhãs douradas

Fazia as caçadas...

Com a taba valente

Procurava a semente

Para o ipê plantar

Com o angico e o jatobá!

E na verde imensidão da mata

O canário, a jandaia em serenata

Na viva e bonita paisagem

Que cobre os céus, o riacho, as matas, a miragem...

Os caminhos, os lajedos

Deste outeiro soberbos penedos

Que a oeste fica

Onde escorrega a Bica

Na posição de atalaia

Orlada de heras, de samambaia

Iracema brincava...

Numa antevisão por nós olhava

Para o horizonte distante

Que vai muito além da serra em quadrante

Entende-se ao sertão

E na contemplação

Percorreu o litoral

E lançado ao quintal

Da história nordestina

Da tabajara menina...

E assim: paisagens e beleza

Nos traços que só a natureza

Detalha, em moldura montada

Lindamente arquitetada...

Com o ouvido atento

Ainda ouço o lamento

Das tristes cantigas antigas

Das meninas tabajaras, das ararenas das iracemas

Que um dia moraram nestas terras

Nas grimpas, nas serras...

Ouço o canto dos guerreiros valentes

Onças e gatos maracajás

Ou de tímidos preás...

A correr atrás das raposas, pacas, cotias

Até quando a noite descia!

E vinha o grito dolente no bofejo da viração

Dos caborés, noitibós, agourando a solidão...

O luar espancando penumbras, coadas aqui

Devassando meondros pelos galhos do oiti

Pelas fendas do lajedo

No arvoredo

Na linha do oitão

Vegetavam as beldroegas tímidas, o capinzal de raiz

Na feliz paragem iluminada rendilhada

Pelo azul nostálgico dos contrafortes da Ibiaapaba

Ao som da inúmbia do morubixaba!

Dra. Maria Cleide de Melo Lima Damasceno

Ao Blog Aconteceu Ipu – Afrânio Soares

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

DESTINO SOBERANO

Quando criança eu ouvia

Às vezes uma canção

Anunciando a profecia

Sobre o meu pobre torrão

Que iria se transformar

Todinho em um grande mar

E o mar num vasto sertão


hoje não mais duvido

Dessa malograda sorte

Ao ver as tantas enchentes

Aqui pras bandas do Norte

Pernambuco e Alagoas

Essas duas terras tão boas

Viraram terras da morte


Com as chuvas que assolam

Os irmãos pernambucanos

E que também tanto afligem

Os pobres alagoanos

Fico a pensar com medo

Naquele triste enredo

Que ouvia naqueles anos


Mas Deus sabe o que faz

Pra cada um tem um plano

É por isso que pretendo

Continuar só pensando

Sem querer questionar

Nem tão pouco criticar

O destino soberano

Ricardo Aragão

Ipu(CE), Jun/2010

VISITEM O BLOG CULTURAL DE RICARDO ARAGÃO

A FELICIDADE

O Ipu outra vez aniversaria

E meu coração se contagia

De ternura e sentimento

E olho o firmamento

Vejo o céu todo bordado

Meu ipu você é festejado

Todos querem te exaltar

Por que o céu daqui é diferente

Brilha com tanta intensidade

Iluminando toda a cidade

A serra e o sertão também

Com raios de poesia

Meu Ipu hoje é teu dia

O vinte e seis já chegou

Teu presente é meu amor

Você hoje aniversaria

Hoje eu vi o sol nascer

Com raios bem mais brilhantes

Iluminando a bela fonte

Que jorra tão abundante

E a serra se ajoelhou

E o teu solo assim beijou

Com carícia de amante

Ouvi lá do topo da serra

O mesmo grito de guerra

Do cacique Araquém

Ouvi a jandaia cantar

No galho do sabiá

Ecoando mais além

É homenagem a você

Demonstrando bem querer

Te dando os parabéns

Deus te guarde meu Ipu amado

Minha Terra abençoada

És por teus filhos adorada

Como mãe bem carinhosa

O teu cheirinho é de rosa

Faz bem ao meu coração

É sagrado o teu chão

E te cantarei sempre

Em verso e prosa.

Corrinha de Melo Lima - Ipu, agosto de 2002

Enviado por Lorena


MENINO MOLEQUE

Correndo e saltando,
Pulando e cantando,
As meninices da vida.
Correndo nas calçadas,
Da Rua da Goela,
Em alarido constante,
Junto aos colegas de infância.
Ouvindo e vibrando,
Com a Sanfoninha de Ouro,
Uma festa no Céu,
Das aulas de músicas na sanfona,
De Valderez.
Amigos correndo,
Indo a calçada dos Bastos,
Luiz, Adrião,
Edílson Seixas e Alderino,
Maravilha e Luiz do Leonardo,
Wilson do Atalânio,
Às Tapas e Ponta Pés,
Com o Baldomir.
Correndo e saltando,

Na hora da chuva,
Tomando banho,
Nos jacarés da Igrejinha.
A enxurrada descendo
Inspirando canções,
Na composição SONHO.
Na cheia do Ipuçaba,
A Molecada corria
E saltava em mortal,
Na Ponte da Rodagem.
Ao regresso para o Quadro,
A pelada com respingos d’água.
Capim Orvalhado!
As tamarinas não faltavam
Para nutrir os nossos desejos.
A nossa fome,
De menino pobre,
Sempre querendo,
Matar a fome.
A tarde cai,
Um silencio!
Ao dobre do Sino da Igrejinha.
Nove badaladas – Hora do Ângelus.
A Ave Maria.
A Molecada cantando e sorrindo
Cumprira um dia de prazer.
E
DE ALTA MOLECAGEM.
Como é bom ser Moleque!!!
Correndo e saltando,
Pulando e cantando,
Parecendo,
Ser Moleque,
Outra vez.
A lua não tarda,
Os violões se afinam.
As primas e bordões,
Choram...
Já soam...
A noite começa,
É a serenata,
O canto mavioso.
Nostálgico,
Lânguido, nas ruas,
Do IPU,
Onde os moleques cantam e tocam
E fazem história.
Que bom ser um moleque,
Sempre alegre,
Altivo, catando a vida,
A FELICIDADE.

Menino Moleque (Professor Fco. Mello)

Visitem o Blog Cultural do Professor Francisco Mello

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